PRONUCIAMENTO DO DEPUTADO MÁRCIO MOREIRA ALVES (1968)
Por uma dessas ironias do acaso, acabou entrando para a História, nos episódios que envolveram a decretação do Ato Institucional-5, em 1968, o discurso feito pelo deputado Márcio Moreira Alves (MDB-GB) que eriçou as cerdas da ditadura e a levou a baixar o AI-5, de amarga memória. Poucos se lembrarão de seu conteúdo e os que lembram recordam-se mais de seu caráter provocador e superficial, do desafio aos que tinham nas mãos o poder usurpado pelo golpe de 1964.
Em meio a um generoso pacote de contribuições para o acervo do marechal Lott, enviado ao Brasil Memória pelo querido Frei Chico, dei com uma amarelada página do Correio da Manhã do dia 13 de dezembro de 1968, perdida entre jingles, livros e documentos de Lott. É aqui que reside o busílis.
Se a história ruminou e regurgitou o discurso-provocação de Marcito, como era tratado o deputado, expressado num perdido pinga-fogo no início de setembro daquele ano, a História, com H maiúsculo, tem a obrigação de preservar o longo, demorado e inigualável pronunciamento do deputado realizado na tarde de 13 de dezembro, horas antes que a Câmara Federal negasse à ditadura o direito de cassar seu mandato. Altivo e corajoso, rico em referências históricas e revelador de um momento soberbo do parlamento brasileiro, o discurso de Márcio Moreira Alves merecia ser imortalizado em chumbo e parafusado na porta de entrada da Câmara dos Deputados, em Brasília (FERNANDO MORAIS).

