CRÔNICAS DA REVOLUÇÃO ─ MADUREIRA EM CUBA
O time do Brasil que ganhou as copas de 1958 e 1962 causou um grande impacto no cenário do futebol mundial. No rastro da fama do "escrete canarinho", estrelado por Garrincha, Pelé, Didi e tantos outros nomes célebres, muitos times brasileiros fizeram excursões internacionais por todo o planeta.
O empresário carioca José da Gama, por exemplo, conseguiu negociar várias viagens de algumas equipes de futebol, até mesmo do modesto Madureira Esporte Clube, time do qual ele era o presidente.
Gama promoveu em 1961 uma volta ao mundo do Madureira que durou 144 dias ─ um recorde de permanência de um clube brasileiro no exterior.
Em 1963 o Madureira fez um giro pela América Latina, passando por Venezuela, Colômbia, México, El Salvador Costa Rica e, finalmente, Cuba.
No dia 11 de maio, no auge da Guerra Fria, apenas alguns meses depois do episódio da Crise dos Mísseis entre EUA e URSS, o time brasileiro desembarcou na ilha de Fidel, tornando-se o primeiro clube estrangeiro a jogar no país caribenho depois da revolução de 1959.
Foram 5 jogos ─ com 5 vitórias ─ contra os principais times cubanos. O jogo de despedida contou com a presença do comandante Che Guevara, um líder político e militar muito admirado, não só pelos cubanos, mas também pelos jogadores brasileiros.
O Madureira tinha laços estreitos com a escola de samba do seu bairro ─ a Portela ─ e com o jogo do bicho, mas não consta que tivesse alguma relação com o comunismo. Jogar em Cuba era uma questão meramente comercial.
No ano seguinte, já depois do golpe de 1964 no Brasil, o Madureira foi jogar na China de Mao Zedong e acabou se envolvendo em um grande embaraço diplomático.
Em 2013 foi lançado um uniforme do Madureira comemorativo aos 50 anos da passagem do clube carioca por Cuba, homenageando a bandeira do país, com a estampa do seu herói nacional.